quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

PRÓXIMOS TEMAS

Como sempre digo, dou total prioridade aos temas que me são sugeridos relativamente àqueles que são propostos por mim, para escrever aqui no blogue.

Apresento aqui a lista dos temas relativos aos próximos posts:
  1. Jogador / Treinador (sugerido por Daniel Pais);
  2. Inversão do sentido de jogo (sugerido por Carlos Correira);
  3. Dupla vantagem;
  4. Falar "Andebolês".
Peço a quem me sugeriu temas e não está aqui que me recorde, pois é possível que eu não tenha tomado nota de alguma coisa, seja por aqui ou via mail: carlosjorgecapela@gmail.com

NOTA: Por motivos pessoais que infelizmente não são relacionados com o Natal, vou ter dificuldade em publicar com regularidade nas próximas 3 semanas, como já ficou claro pela ausência de posts durante mais de uma semana. Conto no fim destas 3 semanas voltar ao normal.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

SISTEMAS DEFENSIVOS EM ESCALÕES JOVENS - Saída ao Portador da Bola

Como já disse algumas vezes, não tenho a pretensão de entrar num campo demasiado técnico, porque não tenho competências para isso. Contudo, como igualmente já disse em anteriores oportunidades, é essencial para um árbitro perceber um pouco de técnica e tática do jogo.

Com o tema que hoje trago pretendo concluir o tema dos sistemas defensivos, e procuro abordar uma questão relacionada com a proibição de defesas mistas em escalões jovens. Mais uma vez, recordo que esta proibição só está em vigor em Portugal, pelo que os leitores de outros países que acompanham o que escrevo me irão desculpar. Mas não deixa de ser muito útil a leitura deste post para a compreensão do conceito, do ponto de vista do árbitro, de "saída ao portador da bola".

Nos escalões até iniciados, inclusive, as equipas não podem utilizar defesas mistas (ver Sistemas Defensivos vs. Posicionamento - Defesa Mista e Sistemas Defensivos em Escalões Jovens).
O que acontece em muitos jogos é a tentativa de os treinadores contornarem esta proibição, colocando um atleta mais próximo do "jogador mais perigoso" da equipa adversária. Não vou aqui discutir o que é ético ou não é, porque nem tal coisa me compete, mas sim o que é legal. Para isso, temos de definir a linha a partir da qual começa a defesa mista, ou seja, a partir de quando se pode considerar que há um jogador a ser marcado individualmente com os outros a defender à zona.

Não é fácil estabelecer uma "distância mínima" que permita definir uma defesa como "legal" ou "ilegal".
O que se pode é analisar se o comportamento do defesa impede os movimentos do atacante ou acompanha os movimentos do atacante quando este está SEM BOLA.
E porquê a ressalva do facto de o atacante estar sem bola? Porque com bola é mais do que óbvio que um defesa pode atuar sobre ele.
O conceito de "saída ao portador da bola", para uma análise arbitral, é isso mesmo, o facto de o defesa sair de uma posição de defesa à zona e "atacar" os movimentos do atacante quando este já recebeu a bola ou quando está prestes a recebê-la.

Considera-se uma saída ao portador da bola LEGAL quando o atacante recebe a bola e um defesa se aproxima individualmente dele.
Da mesma forma, considera-se uma saída ao portador da bola LEGAL quando o atacante está prestes a receber a bola vinda de um seu colega e a linha de passe é cortada por um defesa. Neste caso, o defesa não pode ficar junto do atacante em permanência, tendo forçosamente de se afastar após a interseção da linha de passe, tendo esta sido bem ou mal sucedida.

É ILEGAL um defesa estar sobre um atacante quando a bola está longe da sua área de ação.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

SISTEMAS DEFENSIVOS EM ESCALÕES JOVENS


POST CORRIGIDO A 10/12/2012:

Onde se lê "Oficial A", eu tinha escrito por lapso "Treinador".
A questão é que quem tem de ser sancionado é o responsável pela equipa, que é sempre o Oficial A.

-- x --

Antes de mais, tenho de fazer a referência obrigatória que este post se aplica apenas a Portugal.

Nos escalões de iniciados, inclusive, para baixo, o regulamento técnico-pedagógico vigente nesta época impede que hajam substituições sem posse de bola e que se usem defesas mistas (ver Sistemas Defensivos vs. Posicionamento - Defesa Mista).
Em caso de incumprimento desta norma, os árbitros deverão agir da seguinte forma:
  1. Avisar o Oficial A da equipa prevaricadora de que a equipa está a agir irregularmente.
    Será boa prática informá-lo fazendo um time-out.
  2. Em caso de reincidência, o árbitro deverá aplicar a sanção progressiva ao Oficial A, da seguinte forma:
    a. Advertência;
    b. Exclusão;
    c. Desqualificação.
Espera-se que não se chegue a estes extremos, como é óbvio.
Quer da parte de quem orienta as equipas, quer da parte do árbitro, deverá haver suficiente bom senso para que não cheguemos a casos extremos.
Opinião pessoal: escalões até iniciados NÃO SÃO de competição! São de preparação do futuro, através da promoção de todos os jogadores

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

SISTEMAS DEFENSIVOS vs. POSICIONAMENTO - Defesa Mista

Hoje falo sobre o posicionamento dos árbitros quando uma das equipas usa um sistema defensivo misto, ou seja, quando mistura um sistema defensivo à zona com a marcação a 1 ou mais atacantes. Uma vez que estas situações não são estanques e exigem muita adaptação e flexibilidade, menciono apenas o caso das defesas 5+1 (5 jogadores à zona + 1 marcação HxH), deixando de parte defesas 4+2, por exemplo.
A 5+1 permite apresentar um caso genérico.

Neste caso, vemos uma marcação individual a ser feita ao lateral esquerdo da equipa atacante.
Ao identificar a situação de defesa mista, os árbitros devem ter a preocupação de se posicionar da melhor forma possível.

Aqui, o árbitro central deve ficar do lado oposto ao da marcação individual, para:

  • Evitar ficar na zona da bola;
  • Não interferir no desenrolar do jogo;
  • Procurar o espaço entre atacante e defensor;
  • Manter o controlo visual sobre todos os jogadores.

Estará, assim, em condições de repartir a sua atenção entre a marcação e a circulação da bola.
Para que esta vigilância seja efetiva e eficaz, o árbitro de baliza deverá auxiliar o colega. Para isso, deve dividir o olhar entre a zona dos 6m e a marcação individual.

Vejamos um caso em que a colaboração do árbitro de baliza é de suma importância.
Consideremos que a bola está no ponta direita (seguindo a direção do ataque da figura). O árbitro central deve seguir a circulação da bola. Nesse momento, o atacante que está a ser marcado individualmente consegue escapar à marcação e o defesa que estava sobre ele persegue-o, agarrando-o pelas costas, o que leva o atacante a cair.
O árbitro central está a olhar para a zona da ponta e pode não ver o que aconteceu. Com uma correta colaboração entre ambos os árbitros, o árbitro de baliza pode intervir aqui, assinalando a falta e sancionando o defesa, ou dando a indicação para que tal aconteça.

Convém salientar que não há uma regra a seguir. Estas indicações são apenas gerais. Cada dupla de árbitros tem a sua forma de trabalhar e adquire as suas rotinas, pelo que o posicionamento dependente dos sistemas defensivos tal como os tenho referido nestes últimos posts se trata de uma mera indicação/sugestão.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

SISTEMAS DEFENSIVOS vs. POSICIONAMENTO - Defesa Individual

No post de hoje falo sobre o posicionamento dos árbitros quando uma das equipas opta por uma marcação homem a homem.
Aqui, são exigidas algumas coisas diferentes aos árbitros, independentemente da sua posição em campo (central ou de baliza), relativamente ao que é exigido aquando da utilização de sistemas defensivos zonais (ver Sistemas Defensivos vs. Posicionamento - Defesa Zonal).

Como é sabido, uma defesa deste tipo é normalmente mais subida no terreno, uma vez que os defesas "procuram" os atacantes.

Posto isto, o árbitro de baliza deve acompanhar a linha da defesa, por forma a estar mais próximo dos jogadores. Não pode é, obviamente, estar tão próximo que não consiga manter o seu campo de visão livre para observar todos os jogadores.

Deve manter-se pronto a recuperar rapidamente o seu posicionamento original e acompanhar qualquer desmarcação rápida de um atacante que consiga criar uma ocasião de golo e se dirija para a zona dos 6m.

Também ao árbitro de baliza é exigida uma maior colaboração com o árbitro central, devida à maior movimentação dos atletas.

O árbitro central vê-se obrigado a uma maior movimentação, na procura do melhor ângulo de visão sobre os atletas, mormente na procura das diagonais de que falei no post anterior. Também deve manter-se atento a possíveis contra-ataques nascidos de recuperações de bola por parte dos defesas, de forma a que não seja apanhado desprevenido na zona da bola.

Na figura que deixo em cima, ilustro um mau posicionamento do árbitro central. É verdade que este tipo de defesa é extremamente "chata" para os árbitros, porque obriga a mil olhos e a uma movimentação constante, mas situações como a de cima devem ser fortemente evitadas. Já referi os motivos, mas exemplifico:
  1. Cenário 1:
    A bola (a vermelho) está nas mãos do atacante (a castanho). O defesa (a branco) dirige-se ao atacante e aplica-lhe um golpe no estômago. O árbitro só consegue ver as costas do atacante, pelo que não vê o contacto.
    Resultado: impossibilidade de julgar a ação do defesa.
    Causa da falha: não procura de diagonais.
  2. Cenário 2:
    A bola foi passada para o atacante, mas o defesa interceta o passe e quer seguir em contra-ataque. Probabilidade de o árbitro estorvar a ação do atacante ou do defensor: ELEVADÍSSIMA!
    Resultado: ou o árbitro atrapalha o contra-ataque ou impede o defesa de o tentar impedir.
    Causa da falha: excessiva proximidade à zona da bola.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

SISTEMAS DEFENSIVOS vs. POSICIONAMENTO - Defesa Zonal

Foi-me feita a seguinte questão no último post:

"Poderia explicar-me o conceito de defesa mista, defesa que é utilizada nos minis, infantis e iniciados. Quais os sistemas que são mistos e não?"

Obviamente, eu não sou a pessoa mais indicada para falar de tática e sistemas defensivos. Mas sempre defendi que os árbitros têm obrigação de perceber um pouco de técnica e de tática, bem como os jogadores e treinadores devem perceber um pouco de técnica de arbitragem. Só assim o Andebol pode evoluir e poderemos todos falar a mesma linguagem. Logo, é com base nestes meus conhecimentos "não muito profundos" que elaboro este post. Claro que é preciso salientar que este post não é uma lição sobre sistemas defensivos (nunca me atreveria a tal...), mas é um post que conjuga explicação sobre os sistemas defensivos com o posicionamento dos árbitros.

Quero também dizer que nos escalões mais baixos (minis, infantis e iniciados) não é permitida neste momento, em Portugal, a utilização de defesas mistas, e eu concordo em absoluto. Bloquear a ação no jogo de um miúdo, só porque é alto ou forte e marca muitos golos seria criminoso e poder-se-ia estar a matar um atleta à nascença. Mas sobre isso falarei na altura própria.

Começo pelo caso mais frequente, o de não haver qualquer jogador a ser marcado individualmente, como nos casos das defesas 6:0 ou 5:1, por exemplo. Aí, o posicionamento dos árbitros torna-se "facilitado", uma vez que não há jogadores que possam "atrapalhar" a sua movimentação.
O posicionamento ideal dos árbitros deverá ser tal como a figura ilustra.


O ideal será sempre os árbitros estarem em "diagonal", por forma a abarcarem todos os jogadores e poderem agir em conformidade com o que veem.
O árbitro de baliza terá a função de vigiar toda a zona dos 6 metros, ao passo que o árbitro central terá de dirigir o seu olhar para toda a área de jogo até aos 7/8 metros. Como é evidente, ambos podem e devem colaborar para uma boa condução do jogo. Por exemplo, apesar de o árbitro central dever concentrar a sua atenção na zona da bola, nada impede que ajude o árbitro de baliza principalmente nos contactos na zona de pivot, pois muitas vezes o ângulo de visão do árbitro de baliza fica obstruído. Como outro exemplo, apesar de o árbitro de baliza dever manter vigilância na zona dos 6m, nada o impede de colaborar com o árbitro central na zona da ponta à sua frente, como mostra a imagem seguinte. A montagem é tenebrosa porque fiz isto no Paint, mas dá para se perceber a intenção...


Seja qual for o sistema defensivo, os árbitros devem colaborar, evitando impor-se na zona de intervenção do colega.

Retomemos a primeira imagem deste post.
Recorde-se que estamos a falar de sistemas defensivos zonais (exemplos: 6:0, 5:1, 4:2, 3:2:1), que permitem, à partida, liberdade de movimentação ao árbitro central.
Preste-se atenção ao posicionamento do árbitro central. Este é, de facto, o ideal. Deve procurar-se ter total visão sobre o espaço entre os jogadores, com especial ênfase no portador da bola. Assim, pode avaliar-se e tomar decisões com melhor probabilidade de acerto, uma vez que se vê que contactos existem entre atacante e defensor.
Para uma melhor perceção sobre o meu último parágrafo, basta pensar que um árbitro colocado nas costas do atacante não terá a mínima hipótese de ver, sequer, que contactos existem, quanto mais de os avaliar... Isto porque o próprio corpo do atacante bloqueia a visão do árbitro. Por mais que evitemos estas situações, muitas vezes basta uma fração de segundo para elas acontecerem, por isso devemos sempre apostar na prevenção, procurando em todos os momentos do jogo o melhor posicionamento possível.

Neste post falei sobre o posicionamento dos árbitros em sistemas defensivos zonais.
Nos próximos posts, falarei sobre defesas individuais e mistas, bem como de casos especiais que me ocorram ou que me sejam sugeridos, como a saída ao portador da bola.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

O JOGO PASSIVO - 3

Há ainda outras notas importantes no que respeita ao jogo passivo. Para alguns, podem ser considerações básicas, mas é sempre bom recordar estes aspetos.

  • O jogo passivo não termina com um pedido de time-out!

Erradamente (e por incrível que pareça!), ainda muitos treinadores e jogadores estão convencidos de que um pedido de time-out termina a iminência de jogo passivo.
E é aqui que entra o 2º ponto.


  • Após um pedido de time-out, os árbitros não devem permitir mais tempo de ataque além do que seria suposto!

É usual que se use o time-out para tentar prolongar o ataque, quando os árbitros já estão com o braço levantado, porque no recomeço estes podem facilitar e "conceder" mais uns segundinhos de ataque.
Isto não deve acontecer. Deve considerar-se o time-out uma mera interrupção do ataque. No recomeço do jogo, a situação da equipa atacante permanece exatamente igual. Ou seja, se os árbitros estavam prestes a inverter o sentido de jogo aquando da entrega do cartão verde na mesa, então devem continuar assim, prestes a inverter o sentido de jogo!

  • É boa prática, nestes casos, o árbitro (por norma, o árbitro central) aproximar-se do jogador que vai executar o lançamento no local de reinício do jogo e sinalizar que o jogo passivo se mantém, fazendo o sinal manual que mostrei em posts anteriores. No entanto, não é obrigado a tal.

E isto acontece pela simples razão de que os atletas da equipa atacante podem não se recordar dessa circunstância do jogo. Isto NÃO É beneficiar a equipa A ou a equipa B, é bom senso! Os próprios árbitros devem manter presente que o jogo passivo se mantém! Também aqui é boa prática juntarem-se nesse time-out por forma a conversarem sobre esse momento do jogo.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

O JOGO PASSIVO - 2

As minhas desculpas por ter demorado mais uns dias do que tinha previsto para fazer este segundo post sobre este tema.
Continuo numa explicação sobre o jogo passivo, sem recorrer ao que está escrito nas regras.

Hoje falo sobre as situações em que uma equipa está na iminência de incorrer em jogo passivo. Tal como disse no post anterior, quando um árbitro faz o gesto manual que a imagem aqui ao lado esquerdo ilustra, está a avisar a equipa atacante que perderá muito em breve a posse de bola se não rematar à baliza.

Para o post de hoje, o ponto de partida é precisamente o momento em que o árbitro levanta o braço.

Só há 3 hipóteses de o árbitro baixar o braço e a equipa atacante manter a posse de bola. A saber:

- Sanção disciplinar à equipa defensora;
- Bola no poste/barra após remate e ressalto para a equipa atacante;
- Remate seguido de defesa do guarda-redes e ressalto para a equipa atacante.

Com qualquer destas condições, o árbitro baixa o braço, pois o jogo passivo deixa de estar iminente, terminando temporariamente.
E aqui surge uma questão que muita gente desconhece. É que o "cronómetro" que mede o tempo de ataque não vai a zero! Uma equipa não pode repensar o seu ataque de raiz, como se tivesse acabado de chegar aos 9 metros, por exemplo. Essa ideia é absolutamente errada!

O que é dado à equipa atacante neste caso é a oportunidade de reorganizar o seu ataque. REORGANIZAR!
Não se pode conceder um tempo de ataque tão grande como antes. Por outro lado, é óbvio que também não se vai levantar o braço imediatamente a seguir.
Deve-se voltar a julgar a atitude ofensiva da equipa. Se a equipa que recupera a bola e assim se mantém em condição atacante, permanece na procura ativa da criação de uma oportunidade de golo, vai ter mais tempo de ataque do que se abrandar consideravelmente o ritmo de jogo. Esta ordem de ideias não é novidade.

O que é importante reter é que uma equipa que recupera a bola numa das 3 condições que enunciei em cima, NÃO TEM DIREITO a um tempo de ataque tão prolongado como da primeira posse de bola. TEM DIREITO, sim, a reorganizar de forma célere o seu ataque, mantendo-se ativamente na procura do golo.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

O JOGO PASSIVO - 1

Pediram-me no outro dia um post sobre o jogo passivo.
É, de facto, uma lei de aplicação subjetiva, mas de conceitos simples de entender. Isso não invalida que se tente fazer uma explicação "a fugir às regras", ou seja, sem usar as expressões que estão escritas no livro. Com este post, pretendo apenas falar do jogo passivo não só como deve ser visto, mas também como eu o vejo. É, por isso, um post ligeiramente pessoal.

Não há tempo definido para uma equipa estar em ataque, como outras modalidades optaram por definir. Por isso, é imperioso saber o que leva uma equipa a "entrar em jogo passivo".
E o que leva um árbitro a levantar o braço, sinalizando iminência de jogo passivo, é a ATITUDE OFENSIVA da equipa. Pode existir um braço levantado ao fim de 5 ou 10 segundos, mas também se pode levantar o braço ao fim de 40 ou 50 segundos. Tudo depende da vontade da equipa em criar oportunidades de golo e de ir para a baliza contrária. Aqui, é importante não confundir a procura da criação de uma oportunidade de golo com o remate efetivo à baliza.

E digo isto porque a procura de uma oportunidade de golo é uma forma de mostrar atitude ofensiva, de procurar o golo, de atacar a baliza adversária. Por vezes, quem a procura não consegue rematar, mas não se deve "punir" a equipa apenas porque não consegue efetuar o remate. Deve dar-se uma pequena margem à equipa que procura a baliza adversária.

Aqui, surge outra questão. Não podemos "castigar" uma defesa que é bem sucedida e impede o adversário de rematar. Logo, é preciso encontrar uma espécie de solução de compromisso entre dar a oportunidade a quem quer efetivamente atacar de o fazer, e não punir uma defesa competente que está a conseguir os seus intentos.

Sim, esta é parte mais subjetiva da decisão do jogo passivo, e deve ser acompanhada do gesto manual ilustrado aqui ao lado.
Por outras palavras, este gesto quer dizer que uma equipa "não está a procurar a baliza" ou "não está a conseguir encontrar o caminho da baliza com a rapidez necessária".
Este gesto também quer dizer que a inversão do sentido de jogo devido a jogo passivo, com passagem da posse de bola para a outra equipa, está iminente.

E quanto tempo depois se deve concretizar essa inversão? Existe um número de passes definido?
Não há tempo estipulado. A regra a cumprir é a necessidade da equipa atacante proceder a uma imediata mudança do ritmo de jogo para, aqui sim, conseguir concretizar a procura de uma oportunidade de golo.
Ou seja, após o gesto mostrado em cima, a equipa tem de construir rapidamente uma situação de golo ou ficará sem posse de bola.

O árbitro deverá permitir sensivelmente uma "circulação de bola" equivalente a uma sucessão de passes de ponta a ponta antes de inverter o sentido de jogo. Considera-se que é possível fazer a organização de um ataque rápido para atirar à baliza com 5/6 passes, embora este número não seja fixo. O momento ótimo para a inversão é no passe ponta-lateral, uma vez que a bola não se dirige para a baliza.

Quando tal sucede, o árbitro deve apitar, sinalizar o sentido que o jogo deverá tomar (tal como em qualquer outra situação) e fazer o gesto manual indicado aqui ao lado direito.

Antes da inversão, é frequente a equipa que ataca sofrer faltas sucessivas, que obriguem a lançamentos livres de 9m. Aqui, não se vai obviamente fazer a contagem dos 5/6 passes porque existem interrupções pelo meio, devendo o jogo ser invertido assim que se observe a incapacidade de rematar à baliza e quando surgir um momento oportuno para a inversão. Por "momento oportuno" refiro-me a um passe lateral, por exemplo.

No próximo post, escreverei sobre as situações em que uma equipa que está em risco iminente de incorrer em jogo passivo deixa de estar, mantendo a posse de bola.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

MUDANÇA DE E-MAIL PESSOAL

Obviamente, este post nada tem a ver com andebol.
Mas uma vez que imensas pessoas contactam comigo por mail, por motivos ligados diretamente a este blogue, solicito que daqui para a frente me enviem os vossos mails para:

carlosjorgecapela@gmail.com

Vou continuar a consultar o meu mail do portugalmail.pt, como é evidente. Por isso, todos os mails que me enviarem nos próximos tempos para lá serão lidos e respondidos, embora progressivamente eu pretenda deixar de usar essa conta. É que o filtro anti-spam do portugalmail.pt é tão mau, mas tão mau, que me leva a abandonar aquela conta.
Mais uma vez, e como digo sempre: NÃO HESITEM EM CONTACTAR-ME PARA QUALQUER QUESTÃO EM QUE EU POSSA AJUDAR!

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

SANÇÕES DISCIPLINARES NOS CONTRA-ATAQUES - Esclarecimento

O meu post de hoje vem na sequência de alguns esclarecimentos que me propus realizar por situações ocorridas recentemente nos jogos que dirigi. Falo, então, das sanções a atribuir em faltas cometidas sobre um adversário que segue em contra-ataque.

Antes de mais, é preciso lembrar que um jogador que segue em contra-ataque está completamente desequilibrado e que qualquer contacto poderá ter efeitos sérios sobre a sua integridade física.
As alterações às regras, nos últimos anos, surgem no sentido de proteger os jogadores que menos possibilidade têm de se defender de contactos (intencionais ou não) que possam provocar-lhes lesões sérias, onde se incluem os toques nos pés de pontas em suspensão e as saídas dos guarda-redes nos contra-ataques, por exemplo.
Também por este motivo se exige muitíssimo rigor aos árbitros nos toques pelas costas de um adversário que segue em contra-ataque.


É preciso sempre analisar duas coisas:
  1. Decisão técnica;
  2. Decisão disciplinar.
Este post não aborda a decisão técnica. Ficará para outra oportunidade.

No que toca à decisão disciplinar, na hora de agir temos de fazer as seguintes perguntas:

  • Havia possibilidade de jogar a bola usando meios legais?
  • Se sim, porque não foram usados?
  • A ação é dirigida à bola ou exclusivamente ao adversário?
  • O toque foi lateral? Foi frontal? Foi pelas costas?
  • Foi toque ou empurrão?
  • Que efeito no adversário a ação do defesa vai provocar?

Claro que não paramos para pensar, até porque o treino e a experiência ajudam-nos a decidir mais rapidamente, mas há muitos fatores a ponderar.

No entanto, há algumas situações que não requerem muito tempo para uma decisão adequada.
Aconteceu-me num jogo recentemente um lance com as seguintes caraterísticas:

  • Jogador em contra-ataque;
  • O defesa não tem qualquer possibilidade de o parar usando meios legais;
  • Contacto feito pelas costas;
  • Toque no braço de remate, no momento do remate.
  • ÚNICA DECISÃO POSSÍVEL: DESQUALIFICAÇÃO.

Isto não configura, por si só, um ato de indisciplina.
Isto não obriga, por si só, a relatório disciplinar.
É uma desqualificação que surge na sequência de um ato defensivo descuidado.

Poder-se-á, em outros casos, excluir um jogador em algumas situações que não sejam passíveis de causar lesões físicas sérias ao adversário ou que não constituam uma conduta antidesportiva grave.

O cartão amarelo deverá ser usado para situações ainda mais excecionais. O contra-ataque é um caso particularmente crítico de risco de lesão e uma advertência é normalmente uma punição muito curta nestes casos, e só deverá ser atribuída em situações de pouca gravidade.

Ideia-chave a reter nestas situações: contacto sem intenção de jogar a bola, pelas costas, no braço de remate, em ato de remate = CARTÃO VERMELHO. 

Uma última nota... não faço aqui referência a qualquer regra propositadamente. A minha intenção com este post é a de transmitir as ideias importantes em linguagem corrente. Posteriormente e se julgar pertinente, farei um post com os fundamentos técnicos do texto que aqui deixo.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

UM AGRADECIMENTO PESSOAL

Hoje não vou fazer nenhum post sobre regras. Tinha começado já a fazer outros, mas esses vão esperar, e faço-o por um motivo que me agrada muito partilhar convosco.

Esta manhã fui apitar um jogo regional de juvenis femininos, entre a Ac. Espinho e o Valongo. Tive de o fazer sozinho porque o meu colega desta manhã teve um problema de última hora que o impediu de vir a Espinho esta manhã.
Quando se dirige um jogo sozinho, há muitas coisas que mudam, a começar pela visão que temos dos lances.

Na sequência de um remate da Ac. Espinho, a guarda redes do Valongo não defendeu à primeira e acabou por tirar a bola de junto da baliza, sem que eu conseguisse ver se tinha ou não passado a linha, num lance que em qualquer jogo seria sempre de dúvida. As atletas da Académica gritaram golo. Eu não vi e perguntei à guarda redes se tinha sido golo e ela disse que sim, que já tinha tirado a bola de dentro da baliza.
Assinalei golo.
Sim, só o fiz porque a guarda redes confirmou que o sofreu.

Perante isto, só me resta agradecer às 2 equipas a correção com que o jogo decorreu e a compreensão perante a minha impossibilidade de ajuizar corretamente este lance em particular.
Mas o agradecimento maior vai para a guarda redes da equipa do Valongo, porque com este gesto e mesmo sem essa intenção, me fez sentir que ainda vale a pena andar no andebol.
Agradeci-lhe pessoalmente e volto a fazê-lo publicamente.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

CARTÕES VERDES PARA TIME-OUT - Esclarecimento

O meu post de hoje é apenas a divulgação de um Comunicado Oficial da FAP.
E faço-o porque várias pessoas já me abordaram para esclarecer este assunto, e eu dei uma informação contrária ao que vem no comunicado agora divulgado.


Passo a explicar.
O Comunicado Oficial nº 20 refere no seu ponto 5.e) que:
  • Cada equipa deverá ser portadora de três cartões Time-out numerados com o 1, 2 e 3 numa das faces.
Esta foi também a indicação que nos foi dada na reciclagem, e foi também isso que transmiti a todos os que me questionaram sobre quem deveria ser portador dos cartões.
Ora, o Comunicado Oficial nº 38 refere agora que:
  • A fim de facilitar logisticamente o cumprimento desta norma, o clube visitado é o responsável pela colocação dos seis (6) cartões verdes (3 para o clube visitado/3 para o clube visitante) numerados com T1, T2, T3, antes do início de cada jogo na mesa do cronometrista/secretário.
Fica, assim, claro, que É O CLUBE DA CASA o responsável pela apresentação dos 3 cartões para cada equipa.

domingo, 21 de outubro de 2012

BOLA NA CARA DO GUARDA-REDES - Esclarecimento

E porque as coisas que acontecem nos jogos e não são compreendidas por todos são sempre os melhores motivos para se escrever aqui no blogue, este fim de semana ganhei alguns bons temas...
Hoje falo sobre as situações em que a bola bate na cara do guarda-redes. As indicações anteriores apontavam para um time-out imediato e posse de bola atribuída ao guarda-redes, para a repor em jogo através de um lançamento de baliza. Ora, apesar de isso continuar a ser o que o público em geral, e até a maioria dos agentes do andebol pensam que deve ser feito, está incorreto.


As orientações mais recentes vão no sentido de se esperar a consequência do ressalto. Ou seja, deve dar-se 1 ou 2 segundos antes de interromper o jogo para assistência ao guarda-redes. Depois, pode acontecer uma de várias situações:
  • Se a bola sai pela linha lateral ou pela linha de saída de baliza, o jogo recomeça com o lançamento correspondente;
  • Se a bola ressalta para um elemento da equipa do guarda-redes, essa equipa fica com a posse de bola;
  • Se a bola ressalta para um elemento da equipa que rematou, então esta equipa deve ficar com a posse de bola.
Este último caso obriga a uma ressalva. Se um jogador atacante recebe a bola nestas condições e está, nesse momento, isolado junto à linha dos 6m, o jogo deve ser retomado com um lançamento livre de 9m. Não se considera, neste caso, uma interrupção de uma clara oportunidade de golo devido a uma situação exterior ao jogo.
Ora, isto gera protestos vindos dos dois lados.
Por um lado, a equipa do guarda-redes "atingido" reclama a posse de bola devido ao facto de a interrupção do jogo ter acontecido devido à bolada na cara. Erro.
Por outro lado, a equipa cujo jogador fica com a posse de bola, isolado aos 6m, reclama livre de 7m por ver interrompida uma clara oportunidade de golo. Erro.

Penso que a falta de informação pode ser uma falha facilmente corrigida, assim haja possibilidade de divulgar a toda a família do andebol este tipo de indicações dadas aos árbitros.
Não me refiro às instruções sobre técnica de arbitragem, porque essa diz respeito apenas a nós. As equipas também não revelam as suas táticas. Refiro-me, apenas, às indicações que afetam diretamente as equipas através das nossas decisões em campo.
Por outro lado, penso que as equipas deviam dedicar mais tempo de treino às regras. Não é compreensível que pessoas com responsabilidades desconheçam regras básicas.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

2012/2013 - QUESTÕES 01 - resposta

Quanto ao post anterior, as respostas às 2 questões que deixei são muito rápidas.
  1. Golo legal ou ilegal?
    O golo é absolutamente legal.
  2. Porquê?
    Como alguém num comentário referiu, é a mesma situação, comparativamente, de uma reposição ao meio campo após golo.
    As regras não colocam qualquer entrave acerca do remate direto à baliza, focando-se no tempo que o executante demora até soltar a bola da mão, no posicionamento do seu próprio pé e no posicionamento dos restantes atletas em campo.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

NOVAS REGRAS 2012 - Time-out

Falta apenas falar, nesta série de posts sobre as novas regras para esta época, sobre as inovações nos time-outs.
  • São agora permitidos 3 time-outs por equipa;
  • No máximo, podem ser pedidos 2 time-outs por parte;
  • Nos últimos 5 minutos de jogo, pode ser apenas pedido UM time-out.
Esta é a imagem de um cartão, tal como este deve ser:


Não está grande coisa, porque fui eu que fiz isto no Paint... :)
É, também, importante reter algumas considerações:
  • Os cartões devem ter um T maiúsculo, com a indicação sobre o número do time-out: 1, 2 ou 3;
  • Ao intervalo, se nenhum time-out tiver sido pedido por uma equipa, esta deve entregar na mesa o T1;
  • O cartão deve ser entregue em mão ao Oficial de Mesa;
  • As equipas devem ser portadoras dos cartões.
Nesta fase inicial da época, deveremos dar uma margem grande para que as equipas se preparem para a necessidade de ter 3 cartões verdes, neste formato. Contudo, não me parece que seja problemático para uma equipa consegui-lo rapidamente.

Outra nota importante:
NO PROLONGAMENTO, CONTINUA A NÃO SER PERMITIDO PEDIR TIME-OUT!

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

NOVAS REGRAS 2012 - Lista de participantes

No que toca à lista de participantes, também há algumas indicações importantes para a época 2012/2013:
  • Fim do Oficial E;
  • Só se pode alterar os números e letras dos Oficiais;
  • No máximo são inscritos 14 atletas (exceção para PO1, em que o máximo são 16);
  • Só se aceitam listas feitas em computador.
Esta imagem é de uma lista de participantes que NÃO PODE SER ACEITE:

E não pode ser aceite por várias razões. Por exemplo:
  • Primeiro, porque na lista de participantes deve constar a listagem de Oficiais do A ao D, independentemente da função que desempenham;
  • Depois, porque é manual. A aceitação de listas manuais ESTÁ COMPLETAMENTE FORA DE HIPÓTESE.
Algumas considerações devem ser feitas.
É importante lembrar que as únicas coisas que podem ser escritas à mão são os números de atletas (em casos em que se impõe uma correção) e as letras dos Oficiais (nos mesmos moldes dos números dos atletas).
É preferível que se faça uma lista de participantes com atletas "a mais" do que o permitido, pois é possível riscar os não presentes. Para inscrever um atleta que não esteja na lista de participantes originalmente entregue aos árbitros, é obrigatório entregar uma lista de participantes nova.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

NOVAS REGRAS 2012 - Treinador

No que toca a esta época desportiva, a indicação é que o jogo se realiza sempre, independentemente de haver ou não treinador no banco.
Nos casos em que:
  1. Uma equipa se apresenta sem treinador;
  2. Uma equipa se apresenta sem treinador qualificado para a respetiva prova.
o procedimento correto será elaborar um relatório em que, nas Ocorrências Administrativas, se menciona, respetivamente:
  1. Ausência de treinador;
  2. Ausência de treinador qualificado para a respetiva prova.
A tabela onde constam as qualificações dos treinadores para a respetiva prova é o Anexo 8 ao Comunicado Oficial nº1 da Federação de Andebol de Portugal, que a seguir reproduzo:


segunda-feira, 24 de setembro de 2012

NOVAS REGRAS 2012 - Oficiais inscritos

Para esta época, também há alterações no que toca à inscrição dos oficiais nos bancos.
Vejam-se as alterações uma a uma:
  • Desaparece a indicação que permitia a um médico ser inscrito como Oficial E, nomeadamente nos jogos da PO1;
  • Só é permitida a inscrição a 4 Oficiais;
  • O Oficial A continua a ser o responsável da equipa;
  • O treinador pode não ser o Oficial A;
  • Pode estar UM Oficial de pé.

Implicações práticas:
  • Um médico pode ser inscrito como Oficial A, B, C ou D, o que se aplica a todas as provas;
  • O treinador deixa de ser obrigatoriamente o Oficial A, estando menos sujeito a eventuais sanções disciplinares por algum problema que surja no banco;
  • Pode estar um qualquer Oficial de pé, embora não faça muito sentido que seja outro que não o treinador, que estará a dar indicações à equipa.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

NOVAS REGRAS 2012 - Intervalo

O post de hoje será muito curto, mas foca igualmente uma das indicações para esta época.
O intervalo mantém-se como sempre, com a duração de 10 minutos, de acordo com a regra 2.1. 

2:1 O tempo de jogo normal para todas as equipas com jogadores de idade superior a 16 (inclusive) é de 2 partes de 30 minutos cada. O intervalo entre ambas é normalmente de 10 minutos.

O tempo de jogo normal para as equipas mais jovens é 2 x 25 minutos para as idades entre os 12 e os 16 e 2 x 20 minutos para as idades entre 8 e os 12. Em ambos os casos o intervalo entre as duas partes é normalmente de 10 minutos.

No entanto, é possível que possam haver exceções no caso de jogos televisionados, em que o tempo máximo é de 15 minutos. Essa indicação está explícita na nota constante do livro de regras, relativa à regra 2.1.

Nota:

A IHF, as Federações Nacionais e Continentais, têm o direito de aplicar, nas provas de sua responsabilidade, de alterações ao tempo de intervalo. O tempo máximo de intervalo será de 15 minutos.

É importante deixar outra ressalva.
Não existe apito da mesa durante o intervalo, para chamar as equipas para o terreno de jogo!
Existe um apito 10 minutos ANTES DO JOGO COMEÇAR, e é o único que deve existir a partir da mesa.
Muita gente pensa que aos 5 minutos do intervalo deve existir um aviso para chamar as equipas, mas isso é errado.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

NOVAS REGRAS 2012 - Desqualificação no último minuto

Como disse no post anterior, vou focar nos próximos posts as alterações às regras e regulamentos que entrarão em vigor na época 2012/2013.
Hoje o assunto é a desqualificação no último minuto.

Não há propriamente uma alteração às regras neste ponto. O que muda é o procedimento a tomar após a exibição do cartão vermelho e após o jogo.
O comunicado emitido pela FAP (penso que no ano passado) que obrigava a que fosse feito um relatório escrito em todos os casos de desqualificação no último minuto de jogo deixa de estar em vigor.
Dessa forma, o único texto que justifica a elaboração de um relatório escrito são as situações descritas na regra 8 do livro de regras, mais propriamente nos seus pontos 6 e 10.

Texto da regra 8.6:

Desqualificações devido a uma acção especialmente imprudente, particularmente perigosa, premeditada ou mal intencionada (também deve ser elaborado relatório escrito).

8:6 Se os árbitros consideram uma acção especialmente imprudente, particularmente perigosa, premeditada ou mal intencionada, estão obrigados a efectuar um relatório escrito depois do jogo, para que as autoridades responsáveis possam uma tomar uma decisão sobre medidas posteriores.
Indicações e precisões que podem servir como critério para a tomada de decisão, além das já descritas na Regra 8:5, são:
a) Uma acção especialmente perigosa ou imprudente;
b) Uma acção premeditada ou mal intencionada, que não está de forma nenhuma relacionada com a situação de jogo;

Comentário:

Quando se comete uma falta das que estão contempladas nas Regras 8:5 e 8:6, durante o último minuto de um jogo, com a intenção de evitar um golo, esta acção deve ser considerada como “conduta extremamente antidesportiva” segundo a Regra 8:10d e punida segundo a mesma.

Texto da regra 8.10:

Conduta antidesportiva extremamente grave que deve ser sancionada com uma desqualificação (e obrigatoriamente relatório escrito).
8:10 Se os árbitros classificaram a conduta como extremamente antidesportiva, devem obrigatoriamente após o jogo elaborar relatório escrito de modo a permitir que as autoridades responsáveis estejam em posição de tomar as medidas adequadas.

As acções seguintes servem como exemplos:

a) Insultos ou ameaças dirigidas a outra pessoas, p. exemplo, árbitros, cronometrista/secretário, delegados, oficiais de equipa, jogadores e espectadores. As mesmas podem ser de forma verbal ou não verbal (por exemplo: expressões faciais, gestos, linguagem corporal ou contacto físico);

b) (I) a interferência no jogo de um oficial de equipa, no terreno de jogo ou a partir da zona de substituições, ou (II) jogador que impedir uma clara ocasião de golo através de uma entrada ilegal no terreno de jogo (Regra 4:6), ou da zona de substituições;

c) Se durante o último minuto de jogo a bola não está em jogo, e um jogador ou oficial de equipa impede ou atrasa a execução de um lançamento livre a favor dos adversários, com o objectivo de impedir que eles sejam capazes de efectuar um remate para golo, ou para obter uma clara ocasião de marcar golo; isto é considerado como conduta antidesportiva extremamente grave, isto também se aplica a qualquer tipo de interferência (por exemplo: através de subtil contacto físico, interceptar um passe, interferência na recepção da bola, não largar a bola);

d) Se durante o último minuto de um jogo e com a bola em jogo, os adversários, através de uma acção que ao abrigo da Regra 8:5 ou 8:6, impedem a equipa de posse de bola, de efectuar um remate para golo ou uma acção para obter uma clara ocasião de golo, não deve ser apenas desqualificado conforme o indicado nas Regra 8:5 ou 8:6; um relatório escrito tem, obrigatoriamente, de ser efectuado.


O que é que isto trocado por miúdos diz?
Que um cartão vermelho não merece relatório devido ao tempo de jogo propriamente dito, mas devido à ação que é praticada.

Exemplo:
Se, numa ação de jogo, um defesa atinge involuntariamente um adversário na cara, deverá ser-lhe exibido o cartão vermelho. Mesmo que essa ação ocorra no último minuto de jogo, se se considerar que não foi uma ação propositada ou que tivesse como intuito impedir a equipa atacante de criar uma oportunidade de golo, não deverá ser escrito relatório. Anteriormente isso acontecia, se se passasse no último minuto de jogo.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

NOVAS REGRAS 2012

Estamos com a época a começar.
Como sempre, os árbitros tiveram a reciclagem de início de época, em que foram transmitidas as indicações para a nova época, bem como as alterações às regras e regulamentos, que entrarão em vigor já no próximo fim de semana.

Nos meus próximos posts, irei falar individualmente de cada uma dessas alterações, que respeitam os seguintes temas:
  1. Desqualificação no último minuto;
  2. Treinador;
  3. Lista de participantes;
  4. Oficiais inscritos;
  5. Time-outs;
  6. Intervalo.
Qualquer questão que julguem ser necessário abordar, por favor façam-me chegar.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

VÍDEO

Ainda estamos a aquecer motores antes da época.
Deixo aqui um vídeo de um golo bonito, para aguçar o apetite.

video

sábado, 18 de agosto de 2012

A IMPORTÂNCIA DOS COMENTADORES

O meu post de hoje acaba por envolver novamente o Benfica, mas por pura casualidade, e mais uma vez indiretamente.
Não sei quem foi o comentador na transmissão feita pela Sportv do Benfica x Braga. Um era o Miguel Prates (qualidade garantida), o outro não sei, confesso. Mas foi precisamente esse senhor de quem não sei o nome a proferir duas frases que me marcaram pela negativa.

A primeira foi quando, à passagem dos 10 minutos, diz:
"Artur Soares Dias está a fazer uma boa arbitragem, a deixar seguir, o que me surpreende pela positiva".
Pessoalmente acho isto horrível. Se ele queria dizer que o Artur Soares Dias estava a fazer uma boa arbitragem, que o deixa feliz, satisfeito, agradado, o que ele quiser chamar, não pode dizer que está "surpreendido pela positiva". Isso é, no mínimo, um descuido na expressão.
Mas nem foi esta intervenção a pior.

No lance entre o Alan e o Bruno César, em que o Bruno César tentou claramente sacar o segundo cartão amarelo ao adversário sem motivo para tal, a frase foi:
"Não pode haver amarelos em todas as faltas, senão os jogos acabavam 6 para 6 ou 7 para 7."
Este senhor sabe as regras de futebol? Não sabe que quando uma equipa fica com menos de 7 jogadores, o árbitro deve dar o jogo por terminado?
Este é só um exemplo do que eu sempre disse, que os comentadores têm um papel fulcral numa transmissão televisiva. Não têm o papel só de relatar o jogo e os acontecimentos, não têm só de descrever o que acontece! Têm de o saber interpretar para, ao emitir opiniões, estas não saírem manchadas por incorreções. É extremamente desagradável assistir a um jogo, seja de que modalidade for, em que quem tem a responsabilidade de o narrar e comentar não sabe o que diz ou, no mínimo, se engana com frequência.

Uma coisa é estar no café com os amigos a ver a bola, e ouvir as bacoradas que cada um diz, sempre contaminadas pela clubite. Outra coisa completamente diferente é ouvir bacoradas vindas da tv ou da rádio, por quem tem a obrigação de não as dizer.

Mas isto não é uma crítica a todos os profissionais de tv e rádio, longe disso! Temos muitos e bons, competentes e capazes!
É apenas um alerta de alguém que já ouviu coisas suas mal narradas, e que frequentemente também é telespetador e ouvinte.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

O ÁRBITRO: UM EXEMPLO?

Eu ia fazer uma pausa de umas semanas no blogue, mas penso que este post se impõe e é oportuno.

Este post vai, certamente, provocar muitas divergências em quem o ler. Está relacionado com o caso recente do Luisão com o árbitro alemão, penso que toda a gente já viu as imagens, que também não são nada difíceis de encontrar no youtube.

Antes de mais, tenho de dizer que acho o Luisão um fantástico jogador e um verdadeiro líder. Transparece essa imagem e basta ouvir qualquer jogador do Benfica a falar para isso se tornar claro. Mas, por outro lado, acho que ele protesta um pouco demais do que devia, mesmo sendo capitão (função que existe no futebol). Por isso, acho que se "põe a jeito" para sanções disciplinares.

Mas o que me leva a escrever este post não é o Luisão, mas o árbitro.

O Luisão teve um comportamento condenável? Acho que sim. Fez uma abordagem ao árbitro extremamente imprudente, no mínimo. Acredito plenamente que ele não lhe queria tocar, mas o que é facto é que lhe deu uma peitada. E isso merece castigo.
Agora o árbitro... o que foi aquilo? Cena de cinema? De circo? Aquilo foi demasiado mau para ser verdade e não honra a classe da arbitragem. Se quer protagonismo na arbitragem, ele deve esforçar-se no desempenho da função, não a fazer aquilo. Acredito que o impacto o pudesse fazer cair, mas quase desmaiar? Enfim...

O árbitro tem de ser o que há de mais próximo de um exemplo de comportamento e de verdade desportiva. Não pode simular, não pode ceder a pressões. Ou pelo menos não deve.
Há momentos em que qualquer um quebra, pois ninguém é de ferro! Já me aconteceu, obviamente, ceder quando não devia, responder de forma errada ou dirigir-me a quem não devo. Mas isso são reações espontâneas (não menos graves, é claro), não são cenas daquelas.
Com que moral aquele árbitro vai punir uma simulação de um atleta depois daquilo?
Como vai ele olhar nos olhos de um atleta enquanto lhe mostra um amarelo a punir uma simulação?

Obviamente não estou a branquear o comportamento do Luisão. É mau e não é a primeira vez que ele se dirige de uma forma despropositada aos árbitros (como muitos outros jogadores, principalmente no futebol), mas ele não deve ser julgado pelo exagero da conduta de quem deveria ser o primeiro a zelar pela correção em campo. Deve ser julgado pelo que fez, não pelo que o espalhafato de outrém mostra.

Aos árbitros que me leem, peço que nunca esqueçam as suas responsabilidades em campo, pois devem ser os primeiros a mostrar correção e respeito.
A todos os outros agentes do desporto, peço que respeitem os árbitros, pois nós precisamos de estabilidade no desempenho da nossa tarefa, peço que confiem no julgamento de quem tem essa responsabilidade e que, quando tiverem de nos abordar, o façam corretamente.

É nossa obrigação respeitar-vos.
É vosso direito serem respeitados.

É vossa obrigação respeitar-nos.
É nosso direito sermos respeitados.

Em qualquer modalidade.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

ALGUMAS ESTATÍSTICAS

Acerca do meu último post no outro blogue que mantenho, dedicado à Astronomia, calhou em conversa eu dizer que o que lá publico é mais lido no Brasil do que em Portugal.
Uma vez que estou prestes a fazer um time-out de cerca de um mês neste blogue, já que as competições estão paradas e noto muito a quantidade de visitas a diminuir nos meses de verão, decidi deixar aqui umas estatísticas das 4 épocas que este blogue leva online.

Não sendo este um espaço onde se pode dizer tudo, é também menos visitado por quem gosta de usar o anonimato dos espaços para descarregar o que lhe vai na alma. Fico feliz por quase nunca ter tido de filtrar comentários, que apenas em um ou dois casos eram ofensivos para a integridade das pessoas neles mencionadas.
Por outro lado, o facto de ser um espaço muito técnico leva a que alguns agentes da modalidade não o visitem diariamente, embora tenha conhecimento de vários casos de pessoas que não são árbitros e fazem cá visitas regulares, hábito que saúdo e sobre o qual lanço o repto para que seja imitado por muitas mais pessoas.

Estas estatísticas do google não são exatas, mas dão uma ideia aproximada.
Tenho uma média de cerca de 1000 visitas por mês, o que não é nada mau. É evidente que este blogue é mais lido em Portugal, mas tenho notado uma crescente afluência dos nossos irmãos brasileiros e angolanos.
Quem cá vem, procura por informações sobre o campo, medidas, arbitragem e até há gente a chegar cá procurando pelo meu nome... :)


Vendo a estatística da pesquisa de palavras-chave, é natural concluir-se que o post mais lido seja o que fala da linha de meio campo...


Espero que me continuem a ajudar a crescer neste projeto, que é tanto meu como vosso.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

WORKSHOP DE ARBITRAGEM - "Arbitragem em Portugal - O Futuro" - fotos

Deixo apenas duas fotos desta ação, tiradas durante a minha intervenção, intitulada "Humanizar e Sensibilizar", para que se tenha uma ideia de como decorreu.
Esperamos continuar a trabalhar e a inovar aqui em Aveiro.



terça-feira, 31 de julho de 2012

ATENÇÃO ÀS DATAS!

Deixo hoje uma palavra de agradecimento a todos os que seguem este blogue e participam, via comentário, facebook, mail e comigo pessoalmente.


E é também para esses que hoje deixo um alerta. Quando vierem consultar a informação que já disponibilizo aqui há quase 4 anos, tenham em atenção, por favor, a data do post que eu aqui colocar!
É que houveram alterações às regras em 2005, e quanto a essas não há problema. Mas voltou a haver em 2010, algumas delas significativas, e é importante saber se a informação estará obsoleta ou não.
Em caso de dúvidas, falem comigo!
Um abraço a todos.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

WORKSHOP DE ARBITRAGEM - "Arbitragem em Portugal - O Futuro" - conclusões

Há muito tempo que estava para fazer este post.
Não vai ser um post muito longo, porque nele expressarei apenas as minhas próprias conclusões acerca do que disse e ouvi, quer dos oradores quer das pessoas que lá se deslocaram.

Antes de mais, foi muito bom ver uma sala composta não só de árbitros jovens e menos jovens, mas também de pessoas de outros quadrantes que não da arbitragem. Gostaríamos que fosse possível organizar, no futuro, uma ação de grandeza ainda maior, mas por outro lado sabemos que as pessoas não aderem facilmente ao tema "arbitragem".

Não vou dizer "quem disse o quê" nesta sessão, mas apenas referir algumas notas que tomei ao longo de todas as intervenções e que, de alguma forma, representam as conclusões que se podem tirar.

Ficou claro que o árbitro funciona como elemento mediador de um jogo e que cria a sua própria imagem.
Onde há jogo/desporto/competição, haverá sempre contestação. E é aqui que o árbitro terá de ter a coragem de assumir as decisões que cada momento exige.
Ao fazê-lo corretamente, estará a dar uma boa imagem de si próprio, uma boa imagem da arbitragem, e isso poderá contribuir significativamente para motivar jovens árbitros a experimentar uma carreira na arbitragem.

A questão da motivação nos árbitros jovens é muitíssimo importante.
Numa sociedade repleta de distrações e atividades, a escolha por uma carreira na arbitragem é de grande risco e de grande sacrifício, pessoal e familiar. Ninguém imagina como é difícil para nós e para os que nos são mais próximos ter de abdicar sucessivamente de momentos importantes para a nossa vida pessoal. Só mesmo agindo com paixão por esta atividade se consegue superar as adversidades que nos vão aparecendo de todos os quadrantes. O gosto pela modalidade que se arbitra é o requisito nº1 para se ter sucesso. Não basta "querer", não basta "ter jeito"... é preciso ter verdadeiro prazer no que se faz.

Não é fácil captar árbitros. Os núcleos regionais, de cada modalidade, têm de trabalhar para cativar os mais jovens. À exceção do futebol, mais ninguém pode oferecer grandes proventos financeiros, pelo que o chamariz tem de ser outro.
É preciso apostar nas vivências que a arbitragem proporciona e preparar os jovens para as dificuldades que irão inevitavelmente surgir, para quando tal acontecer não provocarem a fuga de ninguém. O reconhecimento negativo do nosso trabalho é um fator que faz com que o número de árbitros seja efetivamente reduzido após os primeiros jogos. Ainda que a comunicação social só surja mais tarde, para os que atingem o topo, o público e todos os outros intervenientes no espetáculo tendem a encarar o árbitro como o alvo e como o responsável por resultados menos conseguidos.

É por isso que uma boa iniciação faz toda a diferença. Sem boa formação não há árbitros de qualidade.
A qualidade dos formadores é um aspeto crítico, pois eles podem transmitir experiências e compreender os problemas dos formandos com conhecimento de causa.

Mais se falou acerca de técnicas de arbitragem. Isso até poderá ser tema de outro post, mas não deste que se refere ao futuro da arbitragem e à forma como se pode/deve lidar com os jovens.

Para terminar, quero deixar apenas umas palavras, já que esta ação foi inserida no GarciCup.

  1. Quero agradecer ao meu colega de arbitragem Bruno Rodrigues, pela ideia desta ação. Muita gente pode não valorizar o trabalho que se faz em Aveiro e o nosso em particular, mas deixem-me perder a modéstia... poucas duplas fazem tanto pelo Andebol, pela Arbitragem e pela Formação como as duplas Bruno Rodrigues / Carlos Capela e Ramiro Silva / Mário Coutinho, o nosso grande amigo João Teles, e em tempos o Hilário Matos também. Isso não passa para fora, e quando passa nem sempre é valorizado por quem o deveria fazer. Mas parte do que temos em Portugal, a nós se deve.
  2. Quero deixar um pedido de desculpas público ao Hilário Matos e ao Carlos Arrojado, pela minha pouca intervenção no GarciCup, ao contrário do que estava previsto. Acontece que a minha vida pessoal sofreu vários imprevistos nos últimos tempos e fui obrigado a abdicar de muitas coisas.
    Amigos, fico a dever-vos uma! (Hilário, manda-me as fotos!)
  3. Quero manifestar o meu orgulho por poder partilhar a mesa de oradores com pessoas ilustres do Desporto. Manuel da Conceição, Paulo Costa, Arlindo Silva, José Coelho e Eduardo Coelho: espero ter estado ao vosso nível!
  4. Obrigado a todos os árbitros de Aveiro. Estive pouco envolvido na organização da arbitragem deste torneio, mas penso que conseguimos dirigir os jogos todos só com duplas formadas cá. Obrigado aos mais novos, aos mais velhos e aos do meio... :)
  5. Obrigado à organização do GarciCup. Contem connosco para o ano, que nós contamos com vocês!

domingo, 1 de julho de 2012

WORKSHOP DE ARBITRAGEM - "Arbitragem em Portugal - O Futuro"

Divulgo esta ação que terá lugar no próximo dia 3 de julho, 3ª feira à noite, em Estarreja, inserida no GarciCup.

As inscrições são gratuitas e efectuadas no próprio dia e local.

Qualquer informação devem contactar:
Sr. Bruno Rodrigues - 917255116
Associação de Andebol de Aveiro - 934231044


PROGRAMA


ORADORES


MAPA



  

quarta-feira, 27 de junho de 2012

A ARTE DE NÃO COMPLICAR

Ok, reconheço que este não é, de todo, um tema exclusivamente andebolístico. Mas é sempre pertinente abordá-lo, até porque pode dar (ou não) ao leitor uma perspetiva diferente das coisas. Em muito do que faço, batalho sempre por isso: dar uma perspetiva diferente...

Muitas vezes comentamos entre amigos, lemos no jornal, ouvimos no rádio ou vemos na tv, que o árbitro X apitou bem "mas também o jogo não foi complicado", e que "se aquilo aquecia não sei se ele tinha unhas para os segurar".

Poucas vezes, através dos mesmos meios, nos chega aos ouvidos que o árbitro X apitou bem "e ainda por cima controlou o jogo", que "não foi preciso mostrar muitos cartões" ou que "só atuou disciplinarmente quando foi preciso".
Ainda vamos apanhando destas frases, mas infelizmente ainda são exceções.

Antes de continuar a dizer o que penso, permitam-me um olhar sobre a prestação do Pedro Proença no Euro 2012.
Não é novidade para ninguém que é um excelente árbitro, que os jogos que dirigiu tiveram poucos lances de enorme dificuldade de ajuizamento, que os jogadores foram colaborando (prometo voltar a esta questão neste post ou num próximo)... mas quantos lhe deram o mérito de ter sido brilhante na "arte de não complicar"?

Para quem pensa que "não complicar" é fácil, informo que nem sempre assim é.
Há imensas condicionantes que afetam a qualidade de uma arbitragem: o apito no momento certo, o azar de cortar inadvertidamente um lance de perigo numa vantagem mal dada, o correto posicionamento, o azar de um jogador nos passar à frente num momento crítico, a manutenção da concentração necessária ao longo de um jogo, um sem número de situações que nos pode perturbar significativamente o trabalho...

"Não complicar" é dirigir com mestria, é atuar quando estritamente necessário, é CONFIAR NOS JOGADORES, que são as estrelas de qualquer jogo!
Também por isso, devem ter mais responsabilidade do que efetivamente têm. Mas não vou entrar por aí...

Ninguém mais que o árbitro tem interesse em que o jogo decorra sem casos. Quem disser o contrário não sabe o que está a dizer.
O árbitro é o primeiro a não querer aparecer, pois sabe que se se falar de si, a esmagadora maioria das vezes não é para falar bem! E é por isso que o árbitro deve apostar, a meu ver, na "arte de não complicar", e isso é extremamente exigente, por todas as razões e mais alguma. Quanto mais não seja, porque há sempre alguém disposto a apontar o dedo. Voltando ao Pedro Proença, após 3 jogos mais 1 prolongamento de elevadíssima categoria e de brilhantismo na "arte de não complicar", o que é que os media em Inglaterra iam dizer se o Bertino Miranda não assinala aquele fora de jogo a escassos minutos do Itália x Inglaterra ir para penalties?

sexta-feira, 22 de junho de 2012

QUANTO DURA O INTERVALO ENTRE O TEMPO REGULAMENTAR E O PROLONGAMENTO?

Penso que faço hoje o último post desta sequência, que fala daqueles pormenores a que se dá menos atenção por não serem decisões tomadas na hora, no calor do jogo. Mas também estes pormenores são importantes para o correto desenrolar de um jogo.

O tema de hoje leva-nos para jogos em que "tem de haver vencedor", e ao fim dos 60 minutos está tudo empatado. Tem de haver prolongamento...
Nestes casos, a pergunta mais frequente (acreditem...) dos jogadores e treinadores para os árbitros é:

"Daqui a quanto tempo começa o prolongamento?"

Pois bem, vamos ver a regra 2.2:

2:2 O prolongamento é jogado, após um intervalo de 5 minutos, caso o jogo se encontre empatado até ao final do tempo regulamentar e seja imprescindível determinar um vencedor.
(...)
Caso o jogo continue empatado neste período suplementar, deverá ser jogado um segundo prolongamento, depois de um intervalo de 5 minutos.
(...)

A regra é clara.
Tanto no primeiro prolongamento como no segundo, caso seja necessário, o intervalo é de 5 minutos.
Mas não são 5 minutos de tempo para conversa no seio da equipa.

As equipas deverão estar prontas para iniciar o jogo dentro desse tempo. Isso inclui indicações táticas, novo sorteio e eventual troca de bancos.
Como sempre, as equipas devem respeitar esse tempo e os árbitros devem zelar para que a regra seja cumprida, dentro do bom senso que sempre se exige.

terça-feira, 19 de junho de 2012

QUANTO DURA O INTERVALO NO PROLONGAMENTO?

A exemplo dos últimos posts, o de hoje fala da duração prevista nas regras de mais uma fase do jogo: neste caso, o intervalo no prolongamento.

Um excerto da regra 2.2 diz que:

2:2 (...) O período de prolongamento consiste em 2 partes de 5 minutos cada, com um minuto de intervalo entre ambas. (...) 

Este minuto de intervalo serve para as equipas se limitarem a trocar de campo. Efetivamente, é muito possível que se demore um pouco mais do que isso, e que os treinadores queiram sempre dar uma palavra a um ou outro atleta, ou dar um retoque na estratégia da equipa.
Não vejo qualquer problema nisso, desde que seja algo muito rápido! Não se pode trocar de campo e ficar mais um minuto junto ao banco como se fosse um time-out. Penso que os árbitros devem tolerar uma muito breve conversa do treinador com os seus atletas, desde que ela seja isso mesmo: muito breve.

Em jogos em que seja necessário um segundo prolongamento, a mesma regra 2.2 refere que deve ser aplicado o mesmo tempo e o mesmo procedimento:

2:2 (...) Caso o jogo continue empatado neste período suplementar, deverá ser jogado um segundo prolongamento. (...) Este período suplementar também tem 2 partes de 5 minutos, com um minuto de intervalo. (...)