segunda-feira, 17 de novembro de 2014

SANGUE NO EQUIPAMENTO

Perguntaram-me há uns dias o que fazer se um jogador se recusar a sair do campo se o árbitro o mandar sair por estar a sangrar ou com sangue no equipamento.

A resposta é qualquer coisa como "sai a bem ou a mal". :)

Claro que essa não é a situação ideal, e confesso que nunca vi alguém recusar-se a sair por um motivo destes, mas nunca estamos livres de nos vermos confrontados com uma situação do género. Aqui, a regra 4:10 é clara.

4:10 Se um jogador está a sangrar ou tem sangue no corpo ou equipamento, deverá abandonar imediatamente e de forma voluntária o terreno de jogo (como uma substituição normal) para estancar o sangue, cobrir a ferida e limpar o corpo e equipamento. O jogador não deverá regressar ao terreno de jogo até que todos estes preceitos tenham sido seguidos.
Um jogador que não cumpra as instruções dos árbitros neste sentido é considerado culpado de conduta antidesportiva.

Ou seja, o árbitro deve convidar o atleta a sair, se este não tomar essa atitude de livre e espontânea vontade. Se, ainda assim, o atleta se recusar, deverá ser punido disciplinarmente em conformidade.
É mais que uma mera questão de bom senso, é também uma questão de higiene e saúde. E por todos sabermos isso, a situação da recusa é quase impensável.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

INÍCIO DE NOVAS FUNÇÕES

Comecei este domingo a exercer a outra vertente das minhas novas tarefas no seio da arbitragem, com a função de Delegado no Sporting x ISMAI, depois de há 2 semanas ter tido oportunidade de sentir o sabor de ser "oficialmente" Observador, após alguns anos a trabalhar nesta área com os árbitros da Associação de Andebol de Aveiro.

São coisas diferentes, que se complementam de certa forma. Não escondo que ainda me sinto um bocadinho árbitro, mesmo que entre para um jogo de calças e sapatos. Tenho a arbitragem no sangue, como é fácil de ver. Quem me conhece bem sabe que não pode olhar para mim sem me imaginar de apito e cartões na mão.

Mas é também por toda essa paixão ao Andebol e à Arbitragem que me vou dedicar de corpo e alma a aprender a exercer as funções de Delegado / Observador (gosto de imaginar que posso acrescentar "Formador", na medida em que o meu trabalho puder ajudar a crescer quem lá está dentro). Vou dar o meu melhor, para dignificar o nome e o emblema da Federação de Andebol de Portugal, que orgulhosamente usei ao peito em tantos fins de semana desde 1999, e que continuo a usar de outra forma, mas também para defender a Arbitragem enquanto elemento fundamental de um bom espetáculo desportivo. 
É bom sentir-me "de volta". :)

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

REVISTA APAOMA - Artigo 2

Nesta edição da revista, escrevi sobre a sanção progressiva. Esta é a primeira parte do artigo, sendo que a segunda sairá na próxima edição da revista.

Podem encontrar o artigo nas páginas 25 e 26 da revista, cujo link é:

http://issuu.com/revistaapaoma/docs/apaoma_revista_3/6?fb_action_ids=10152880343872425&fb_action_types=og.shares


terça-feira, 28 de outubro de 2014

ENTREVISTA À REVISTA DA APAOMA

Eu e o Bruno concedemos uma entrevista à revista da APAOMA, a quem desde já agradeço imenso a oportunidade de nos permitir abordar a nossa experiência pessoal e explicar um pouco dos nossos pontos de vista sobre a arbitragem.

Deixo aqui o link da revista cuja leitura recomendo vivamente. A nossa entrevista encontra-se a partir da página 6. E sim, a saudade aperta...





quarta-feira, 22 de outubro de 2014

CURSOS DE ÁRBITROS - E por que não?

Não tenho por hábito publicar este tipo de anúncio aqui no blogue, mas desta vez vou abrir uma exceção. Parece-me que muitos jovens não experimentam a arbitragem por falta de apoio de quem os rodeia ou por falta de incentivo.

Nós, aqui em Aveiro, vamos procurar captar novos valores para a arbitragem em breve (inscrições para o primeiro curso desta época até ao fim deste mês). Deixo aqui o meu apelo para que jovens e menos jovens venham experimentar o lado de cá do andebol. Vão ver que vale a pena! Ser árbitro enriquece-nos desportiva e pessoalmente, ao mesmo tempo que crescemos no Desporto, e isso dá-nos vivências que não teríamos de outra forma.

Fica um apelo igualmente forte para que pais, encarregados de educação e dirigentes de clubes incentivem os seus filhos, dependentes ou atletas a vir experimentar a arbitragem. É bom para todos!
Quem não gostar não é obrigado a ficar ligado... mas só depois de experimentar é que podemos formar uma opinião!

Por isso, seja em Aveiro ou em qualquer outro ponto do país, ou até em qualquer outro país, porque sei que este blogue é lido lá fora, deixo o repto para virem conhecer uma atividade tão difícil quanto gratificante, como é a arbitragem. Dirijam-se às vossas Associações Regionais ou Federações, informem-se sobre cursos de árbitros e venham experimentar!

domingo, 19 de outubro de 2014

CONTAGEM DOS CARTÕES AMARELOS

Ultimamente esta questão foi-me colocada várias vezes, o que me leva a pensar que esta dúvida pode estar presente em muitas pessoas. Tem a ver com a contagem dos cartões amarelos quando, pelo meio, há um cartão amarelo mostrado a um Oficial.

Ora, todos sabemos que, no máximo, só pode haver 3 cartões amarelos mostrados a uma equipa. Mas quando dizemos "por equipa", queremos dizer "a jogadores". Isto quer dizer que o "quarto amarelo" é possível, desde que seja mostrado a um dos oficiais. 

Por outras palavras, devemos ter uma contagem independente do número de advertências. Mesmo que os 3 cartões amarelos a jogadores de uma equipa já tenham sido exibidos, é sempre possível exibir UM cartão amarelo aos Oficiais dessa equipa. 

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

CONDUÇÃO DE JOGOS DE CAMADAS JOVENS

Um bocadinho na onda do último post, deixo aqui, de forma breve, a minha visão do que deve ser uma arbitragem de um jogo de camadas jovens. Aqui já começo a excluir os juvenis (às vezes também iniciados...) em competições nacionais, porque já são equipas muitas vezes bastante evoluídas e com mentalidade de "précompetição". Até aí, venha quem vier, são crianças.

E é isto que mais me incomoda neste particular. Dirigir hoje um jogo de iniciados ou infantis (já nem falo de menos que isso) é mais difícil do que dirigir o mesmo jogo há 10 anos. Os atletas têm menor noção de autoridade e respeito pelo próximo. Muitos não reconhecem o árbitro como elemento condutor do jogo e dos jogadores. É frequente vermos miúdos a responder torto e em tom desafiador, isto para não mencionar as situações em que pura e simplesmente ignoram o que o árbitro lhes diz.
Não vou entrar em conjeturas sobre o que pode estar por trás desse comportamento ou do grau de educação que muitos (não) trazem, mas é-me fácil mencionar casos em que os próprios pais cultivam um mau ambiente dentro de um pavilhão.

No início da minha carreira, ainda eu tinha pouca capacidade para me controlar e a probabilidade de eu ter reações infelizes era maior, aconteceu num jogo de iniciados aqui no norte aquilo que acontece tantas vezes agora: um pai a insultar e a ameaçar tudo e todos, atletas e árbitros. Num momento em que infelizmente explodi, dirigi-lhe a palavra e disse-lhe para ter vergonha daquilo que estava a fazer, porque estava a dar um péssimo exemplo aos miúdos. Nesse momento, um atleta (recordo, iniciado) dirige-se a mim e diz (lembro-me como se tivesse sido hoje...): "Sr. Árbitro, peço-lhe desculpa pelo meu pai. Já lhe pedi para não fazer isto porque me envergonha, mas ele não me liga.". Quem acabou por pedir desculpa fui eu, mas ao miúdo, não ao pai. 

Mas por que é que conto isto?
Porque esta postura de quem está de fora, prejudica muitas vezes a postura de quem está dentro. Nestes jogos em que o essencial é promover a atividade física, o amor à modalidade e o espírito de grupo em gente tão jovem, o árbitro deve assumir um papel o mais pedagógico possível, dialogante, não autoritário mas firme. É obrigatório não confundir pedagogia com passividade nem calma com ausência de ação.
Muitas vezes é preciso ser duro. Ser pedagógico é saber desqualificar um atleta se for necessário, com a obrigação de explicar a decisão e conversar com o atleta no final do jogo (se houver igual vontade do conjunto atleta + treinador). É preciso mostrar que o jogo tem regras e limites, e para isso existem as faltas para serem assinaladas e as sanções para serem atribuídas.

Mas também é preciso contornar as regras. Conscientemente.
Num episódio que penso que já contei aqui, num jogo de minis há alguns anos, entrou um miúdo que eu percebi claramente que era a primeira vez que tocava numa bola. Fez logo dribles. Parei o jogo, perguntei-lhe se sabia o que tinha feito, e ele disse a medo que achava que tinha feito falta. Expliquei-lhe a regra dos dribles e perguntei-lhe se queria a bola outra vez. Ele disse que sim e, em jeito de brincadeira, disse que em troca ele não podia voltar a fazer dribles. Não fez. Tive o cuidado de explicar aos miúdos da outra equipa que estavam ali ao lado o que estava a fazer e tive a sorte de ser bem aceite.
Contornei as regras? Sim. Mas ensinei algo a um miúdo que queria aprender. Esse deve ser o princípio que norteia os adultos envolvidos num jogo de crianças tão jovens: ensinar.

Em outra ocasião, há já muitos anos, num jogo de minis ou infantis femininas, o treinador de uma equipa disse às atletas algo como "quando o árbitro explicar alguma coisa a uma, ouçam todas o que ele diz". Em cada paragem para me dirigir a uma atleta, tinha meia dúzia à minha volta. Foi um jogo diferente. Foi um bocado mais longo, porque depois tinha de esperar que elas voltassem ao lugar, mas foi um jogo que me deu um prazer imenso. Senti-me útil e ao serviço da "Formação de Jovens", o que sempre gostei de fazer.

Agora, sempre o lado de cá... todos os árbitros têm capacidade para saber estar num jogo destes? Não. Todos os árbitros serão bem aceites quando tiverem alguma atitude mais pedagógica? Não.
Também é nestes jogos que é preciso lançar os mais jovens e mais inexperientes, e isso muitas vezes resulta em exibições que contrariam tudo aquilo que escrevi em cima. Mas é um risco que temos de correr. Em Aveiro, procuramos acompanhar os mais jovens juntando, sempre que possível, alguém mais velho. Mas muitas vezes, a ocupação nacional dos mais velhos não permite o acompanhamento dos mais novos.

Todas estas questões são muito complicadas e há muitos pontos de vista tão válidos quanto o meu. Apenas apresentei aquilo que defendo, de peito aberto e sujeito à crítica, como sempre vivi a minha carreira.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

VALORES MORAIS EM CAMADAS JOVENS

Vou aproveitar esta fase de férias do andebol de pavilhão para deixar a minha opinião acerca dos valores muitas vezes incutidos nos jovens atletas.

Pessoalmente, acho que há idades em que a vitória é o menos importante. Aceito que haja quem pense que vencer um jogo de minis ou infantis é mais importante do que colocar todos os jogadores que tem no banco a jogar, mas não concordo. Mas o que me leva a escrever este post nem sequer é o desejo de vitória. Preocupa-me muito mais a noção de respeito (ou falta dele...) que muitos atletas demonstram, algumas vezes com a proteção dos seus responsáveis.

Não há nada mais importante a incutir num jovem atleta do que o respeito pelo adversário, pelo árbitro, pelo público e até pelo próprio colega. Como exemplo, aconteceu-me há algum tempo, num jogo decisivo de camadas jovens, ir tentar levantar do chão um atleta que saiu derrotado e vê-lo recusar a minha mão estendida, virando costas, em frente ao seu treinador, que nada fez a não ser ir confortar os seus atletas, que nem sequer estavam a cumprimentar os elementos da outra equipa.
Pode ser de mim, mas dada a tenra idade do jogador, a única atitude correta que o treinador deveria ter tomado seria dar uma reprimenda ao miúdo e fazê-lo vir cumprimentar-me. Por acaso o jogo até tinha corrido bem para a arbitragem, pois não foi demasiado complicado de dirigir. Mas mesmo que tivesse sido um jogo marcado por alguma decisão polémica, nada justifica a ausência de respeito pelos outros intervenientes, especialmente por alguém tão jovem. 
Este caso é preocupante por não ter sido imediatamente resolvido pelo responsável da equipa. A cobertura dada à atitude do atleta, através da ausência de medida corretiva, é um péssimo princípio para o próprio atleta.

E agora põe-se obrigatoriamente a questão: os árbitros respeitam sempre os outros intervenientes no jogo? Não, com certeza que não. Eu próprio já tive momentos infelizes, principalmente quando era mais jovem e inexperiente. A pressão resulta nisso mesmo, algumas vezes. O que tive sempre foi consciência e/ou alguém que me corrigiu e não me deixou enveredar por um caminho errado.
Aos árbitros que ajudo e ajudarei a formar no futuro, procuro, algumas vezes sem sucesso, incutir o espírito de que somos só mais um em campo, e que todos queremos o mesmo: um bom espetáculo e um bom jogo de andebol. Não somos mais do que ninguém e ninguém é mais do que nós. Devemos respeitar para ser respeitados. Nem sempre acontece, de parte a parte, mas cabe a cada um de nós fazer o que nos compete, para um convívio mais são dentro de um recinto desportivo, e também fora dele.

Todos temos uma palavra a dizer sobre isto, especialmente com os mais jovens.

sábado, 5 de julho de 2014

O NOSSO AGRADECIMENTO

Antes de começarem a ler este post... com o texto de hoje quero apenas mostrar a minha gratidão aos responsáveis pelo momento fantástico do passado dia 29 de junho, e o meu reconhecimento por me fazerem sentir especial. Quando lerem aqui um "eu", leiam um "nós", porque falo em nome do Bruno também.

Não podíamos dizer o nosso "adeus" definitivo sem dar e receber um abraço caseiro, junto das pessoas com quem convivemos desde sempre, em campo e fora dele também.
Fizémos questão que os nossos pais estivessem presentes no nosso último apito. Só não estávamos à espera da enorme surpresa que nos estava preparada.

O ponto final da nossa carreira já tinha sido colocado em maio, em Lisboa, onde nos retirámos da competição e dos jogos nacionais, como fiz questão de assinalar aqui no blogue também. O orgulho de envergar ao peito o emblema da Federação de Andebol de Portugal cresceu ao longo de todos os anos de carreira nacional. Mas cresceu a par do orgulho de ser um dos quadros da Associação de Andebol de Aveiro, e por isso a obrigatoriedade de dizer adeus também... em casa.

Todo o texto que poderia ser escrito, já o foi no meu post de 18 de maio.
Hoje, quero só agradecer a quem nos proporcionou este momento fantástico na semana passada, na final do Garci Cup 2014.

Obrigado à Associação de Andebol de Aveiro, na pessoa do João Lemos, pelo reconhecimento do nosso trabalho.
Obrigado, Carlos Malpique, primeiro por me teres dado o curso já lá vai tanto tempo (aprender é com os melhores), e depois por este abraço que significou tanto para mim. (Foi preciso isto para te por a vista em cima? Vê se apareces...)

Obrigado a todos e a cada um dos árbitros do torneio por aquela t-shirt autografada por todos vós, que muito me honra e vai direitinha para o mais alto patamar das minhas recordações.

Obrigado (outra vez...), Nádia e Ana, agora por aquele album de recordações e pelo livro de dedicatórias e assinaturas, que há tanto andavam a ser recolhidas. By the way, obrigado Hilário, Tozé e Anabela por ajudarem nessas tarefas, e a TODOS os que escreveram naquele livro. Nota: fizeram-me chorar com as vossas palavras. Raios me partam por admitir isto em público...

Obrigado, Rosa. A tua lembrança para connosco representa muito, e tu sabes disso. Algo me diz que o que aconteceu na semana passada teve dedo teu também.

Obrigado, Pangaio, por teres vindo a correr de Aveiro a meu pedido, para chegares a tempo a Estarreja!

Obrigado, Goulão, por estares presente nestes momentos memoráveis da minha carreira, por teres sido um exemplo para mim enquanto árbitro e enquanto homem, e por não me teres deixado ser o único a deixar cair a lagriminha duas vezes pelo mesmo motivo.

Obrigado também à organização do Garci Cup, ao José Gomes por abrilhantar aquele momento com a qualidade do seu trabalho, ao António Oliveira pela excelência deste registo fotográfico, e a todos os que estiveram presentes. Uma vénia nossa a cada um de vós.

Já agora, sair com um túnel destes sabe bem como o caraças... :)
Daí, obrigado Avanca e Porto Vintage!

Acho que já chega. A sério que não queria escrever este post, mas não o fazer seria não ser digno da homenagem que recebi, apesar do elevado grau de lamechice que isto representa. Mas era obrigatório.

E pronto, acho que os meus próximos posts podem voltar a ser normais daqui para a frente. :)
Fechei o ciclo. Para o ano começa outro, ao serviço da AAA, da FAP, do Andebol e da Arbitragem.

Até já. ;)



quinta-feira, 12 de junho de 2014

REVISTA APAOMA - Artigo 1

Saiu hoje a revista nº 2 da APAOMA (Associação Portuguesa de Árbitros e Oficiais de Mesa de Andebol), onde tenho o privilégio de ter duas páginas da minha autoria. Escrevi, neste artigo, sobre a lei da vantagem.

Deixo aqui o link da revista:


O meu artigo está nas páginas 32 e 33.


domingo, 18 de maio de 2014

O POST MAIS DIFÍCIL DE SEMPRE... ATÉ JÁ!

Já fiz aqui mais de 300 posts e este é, com toda a certeza, o mais difícil.
Chegou ao fim a minha carreira como árbitro de andebol, ontem, dia 17 de maio de 2014, em Lisboa, no Benfica x Sporting. A sensação é muito difícil de descrever. Por um lado, a certeza de ter dado sempre o meu melhor em todos os momentos. Por outro, aquela brutal sensação de perda de parte de mim, parte integrante da minha vida desde 1998. 
Verdadeiramente difícil não foi ontem, quando me senti sair para o balneário no fim do jogo. O pior foi hoje, ao acordar, e para a semana, quando começar a ressacar pela falta de jogos. Mas tudo tem um fim, e decisões têm de ser tomadas. Foi este o momento que eu e o Bruno escolhemos para o fim desta etapa e para a tomada da decisão mais difícil das nossas carreiras.


Tenho pavor de me esquecer de alguém neste agradecimento público.

Tenho primeiro de agradecer às nossas famílias o apoio que nos foram dando ao longo de 16 anos. Nós temos consciência que os momentos em que nos serraram a cabeça em protesto pelas nossas ausências, foram só porque nos queriam ter mais tempo convosco. A Arbitragem leva-nos os fins de semana e tantas vezes os dias de semana, mas nós não controlamos o prazer de Arbitrar... faz parte de nós!

Aos nossos amigos, obrigado por não deixarem que as nossas ausências estraguem a nossa amizade, e por esperarem até 1 ou 2 dias antes do fim de semana para terem as nossas respostas aos vossos convites. Aqui, obrigado por aceitarem incontáveis vezes o nosso "não posso, desculpa, tenho jogo".

A todos os jogadores, treinadores, dirigentes e todos os agentes desportivos com quem nos cruzámos, obrigado pelas vivências que nos proporcionaram. Todos foram imprescindíveis na nossa vida de árbitros e foi um privilégio partilhar tantos momentos convosco. Com certeza, em alguns jogos tivemos erros que vos prejudicaram. Desculpem por isso, o erro é presença constante na vida de um árbitro e temos de lidar com ele em todos os jogos, porque está sempre à espreita. Um olhar para o local errado, uma pequena desconcentração, um azar, um mau timing... e lá está ele. Sempre quisemos dar o nosso melhor, sempre respeitámos as vossas equipas por igual, dos veteranos aos minis, da 1ª divisão ao regional.

A todos os árbitros com quem aprendemos continuamente durante 16 anos, e a quem ousamos ter ensinado alguma coisa, enviamo-vos um abraço muito forte. Aproveitem o Andebol e a Arbitragem. Não se limitem a ir aos jogos e ir embora. Convivam, ganhem experiências, façam amigos... abram horizontes e percebam que o Andebol é muito maior do que pensam. Eu e o Bruno saímos desta etapa com tantos e tantos amigos novos e confirmados, entre árbitros, atletas, treinadores, dirigentes e adeptos, porque um dos nossos méritos sempre foi sabermos extrair o sumo de todas as situações e aproveitarmos tudo para o enriquecimento pessoal, de mãos dadas com o enriquecimento desportivo.
Quero aproveitar para enviar um abraço muito apertado ao meu amigo Jaime, que na altura, lá para 1999, ainda eu não apitava com o Bruno, perdeu muitos dos seus fins de semana para pegar em dois putos imberbes e ter dito que havia de fazer de nós árbitros. Jaime, conseguiste. Muito obrigado!

Quero também agradecer à Federação de Andebol de Portugal e à Associação de Andebol de Aveiro por todos estes anos que passaram e outros tantos que estão por vir, pelas experiências que proporcionaram a dois bons amigos que um dia disseram que iam tentar ser bons árbitros. O nosso serviço ao Andebol e à Arbitragem vai agora entrar por uma nova via, mas está muito longe do fim. 

Uma palavra muito especial à Nádia e à Ana, por serem invariavelmente os pilares da minha vida e do Bruno, respetivamente, e por perceberem que sem Andebol seríamos e seremos sempre pessoas menos felizes e seguramente menos completas.

Por fim, o meu evidente agradecimento muito pessoal ao Bruno. Crescemos muito como dupla e como amigos, passámos de dois putos tantas vezes estúpidos e imaturos a dois homens de vidas feitas, e na nova etapa iremos continuar a trabalhar juntos e em sintonia, em prol do Andebol e da Arbitragem, como sempre fizémos. Muito dificilmente pode haver uma boa dupla de arbitragem sem uma boa amizade como suporte. Não sei se fomos uma boa dupla, mas com certeza somos grandes amigos. Só por isso, todos os sacrifícios que passámos já valeram a pena.

O nosso futuro passará por continuar no Andebol e na Arbitragem, mas fora das 4 linhas. Fechámos uma porta, mas abrimos outra. Enquanto sentirmos que somos úteis ao Andebol, podem contar connosco.

O futuro deste blogue, deixo nas vossas mãos, leitores que me foram lendo ao longo de já quase 6 anos. Por mim, continuarei a dar as minhas contribuições, assim vocês me continuem a julgar válido e com a necessária competência para assumir esta responsabilidade.

Estou a despedir-me desta função, mas não da Arbitragem. E seguramente nunca do Andebol.

Por isso... até já!

sábado, 10 de maio de 2014

DURAÇÃO DO ATAQUE APÓS PASSIVO

Um jornal desportivo (Record) adiantava, na sua página online, o seguinte, acerca do basquetebol:
Ora, apesar de algumas pessoas (se calhar algumas ligadas ao andebol...) poderem ser contra esta medida no basquetebol, nós também já temos algo parecido nas nossas regras.
Quando uma equipa está na iminência de jogo passivo (árbitros com braço levantado), o passivo "vai abaixo", como é designado esse momento em linguagem corrente, se acontecer uma das seguintes situações:

  • houver sanção disciplinar para a equipa defensora;
  • a equipa atacante efetuar um remate à baliza, o guarda redes defender e a bola ressaltar para a equipa atacante;
  • a equipa atacante efetuar um remate à baliza, a bola bater nos postes ou trave da baliza e ressaltar para a equipa atacante.

Ora, neste caso, o tempo de ataque que deve ser autorizado à equipa não é o mesmo, comparado com as situações em que uma equipa "acaba de chegar" ao ataque. A regra diz que deve ser permitida à equipa "uma nova fase de organização". Esta fase é para reorganizar o ataque, de forma mais rápida, e para manter a procura ativa de uma situação de golo.
Relembro que não há uma questão de "tempo" no andebol, para marcação de jogo passivo. Existe uma questão de "atitude" da equipa com posse de bola. E é essa atitude ofensiva que tem de ser levada em linha de conta na avaliação destas situações. É por este motivo que existem passivos após 20 segundos e outros após 40.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

EXECUÇÃO DO LANÇAMENTO DE SAÍDA

Colocaram-me esta questão há poucos dias e pretendo esclarecê-la publicamente agora.

A partir de que momento, num lançamento de saída, podem os jogadores ultrapassar a linha de meio campo?

Vamos ver o livro de regras:

10:3 O lançamento de saída é executado em qualquer direção a partir do centro do terreno de jogo (com uma tolerância lateral de cerca de 1.5 metros). É precedido por um sinal de apito, após o qual deve ser executado dentro de 3 segundos. O jogador que executa o lançamento de saída deve estar com pelo menos um pé em contacto com a linha central e o outro pé sobre ou atrás da linha, e deve permanecer nessa posição até a bola deixar a sua mão. Não é permitido aos companheiros de equipa do executante cruzar a linha central antes do sinal de apito.

Tomemos como exemplo ilustrativo a imagem aqui ao lado.
É um frame de um vídeo que analisei há algum tempo, sobre esta situação. A equipa vermelha está a atacar da esquerda para a direita. Esta imagem foi tirada após o apito do árbitro, antes de o jogador que está a executar o lançamento de saída soltar a bola.
Os únicos jogadores que estão mal são os adversários (de branco), uma vez que não estão à distância de 3 m. O colega do executante está em posição legal, porque só ultrapassou a linha do meio campo DEPOIS do apito do árbitro AINDA QUE o seu colega ainda não tenha executado o lançamento.
O lançamento de saída pode, por isso, ser executado com um passe para a frente, na direção do meio campo ofensivo, relativamente a quem o executa.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

A ACEITAÇÃO DE UMA DECISÃO

Peço que, antes de ler o texto, vejam este vídeo.

video

Este vídeo tem 3 momentos que destaco:

  1. Falta atacante muito bem assinalada, o que me parece nem sequer sofrer contestação;
  2. Cartão vermelho claro, na minha opinião com obrigatoriedade de relatório;
  3. Mas o mais importante de tudo, pelo menos para este post, é o que acontece aos 16 segundos:
    a forma como o cartão vermelho é mostrado pelo árbitro e aceite pelo atleta.
Por que motivo se torna difícil, em tantas situações, sermos aceites ao tomar decisões em situações claras?
É verdade que muitas das nossas decisões não são unânimes e passíveis de contestação. Entendo o protesto como normal no desporto, principalmente em desportos de contacto como o nosso. Como tal, longe de mim criticar uma reação negativa a uma decisão nossa, até porque eu próprio as tinha quando jogava e não concordava com as decisões dos árbitros.

A questão que levanto neste post é diferente... Existem muitas situações em que as nossas decisões são claras, porque o que aconteceu no jogo não permitiu qualquer dúvida, como neste caso. E mesmo assim as decisões dos árbitros são contestadas. Ainda que tenhamos de estar preparados para essas situações, custa sempre não sermos aceites.

No entanto, não deixo de referir que parte de nós, árbitros, mostrar abertura para a aceitação das nossas próprias decisões. Quem me conhece, sabe que sempre que posso não me importo de justificar as minhas decisões, desde que sejam corretos comigo. E, no meio da competição típica de qualquer partida, penso que há sempre lugar ao respeito e ao fair-play.

segunda-feira, 3 de março de 2014

A VISÃO DO ÁRBITRO DE BALIZA EM LANCES DE GOLO

No meu post anterior, um dos comentários foi:

"Já estive em campos em que a largura do poste não corresponde à largura da linha de baliza."

Ora bem, ambas as larguras estão definidas no livro de regras e, se não coincidem em alguns campos, deveriam. Ambas deverão ter 8 cm. O que deve ter sempre uma medida diferente é a linha de saída de baliza.
Vou transcrever as passagens do livro de regras onde isso está escrito.

1:2 Os postes da baliza e a barra transversal deverão ter uma secção quadrada de 8 cm.

1:3 Todas as linhas do terreno de jogo são parte integrante do mesmo. As linhas de baliza devem ter 8 cm de largura entre os postes da baliza (ver Figura 2a), e todas as outras devem ter 5 cm de largura.

O facto de a largura do poste e a da linha serem iguais é precioso para facilitar precisamente a leitura dos lances sobre a linha de golo, uma vez que a largura da linha entre os postes é diferente.

"Para cima" na imagem é a baliza.
Vemos que a linha entre os postes é mais larga, e que os 3 cm de diferença estão no sentido do campo.
Também vemos que a parte de trás do poste está alinhada com as outras linhas o que, por consequência, faz com que o poste esteja também 3 cm para dentro do campo. E é assim que deve estar!

Ok, para muitos isto será um preciosismo. Vou a seguir dizer por que não é.

Para o provar, não mexi no poste e coloquei uma bola que claramente não ultrapassa completamente a linha de golo. Com o poste corretamente posicionado, podemos verificar que a bola não entra:


Agora vamos mexer na baliza e arrastar o poste um bocadinho para dentro do campo. O árbitro de baliza, que muitas vezes tem de ajuizar rapidamente um lance em que a bola bate naquela zona, vai ver isto:


O que é que o árbitro vai assinalar? Golo! E é? Claro que não! Mas alguém o pode culpar por isso? Evidentemente que não...

Vamos agora ver o caso inverso, em que o poste está mal colocado, estando alinhado pela parte da frente da linha de saída de baliza (fora dos postes). Esta imagem mostra o que NÃO PODE acontecer:

Mais uma vez, fui colocar uma bola junto ao poste. Como se pode ver, este posicionamento da bola daria golo, uma vez que a bola ultrapassa completamente a linha:

De seguida, fui tirar a visão do árbitro de baliza, neste caso:

Se o árbitro de baliza tiver de avaliar num só momento, um lance em que a bola bate naquela zona, vai assinalar golo? Não! E é? Claro que é! E alguém o pode culpar? Evidentemente que não...

Estes lances são de muito difícil análise por si só. A má colocação dos postes só piora a situação. Espero, com este post, ter contribuído para mostrar o "lado de cá" deste tipo de situação.

PS: No outro dia, validei um golo em que a bola bate claramente dentro e, com o efeito, acaba por sair. Da bancada estavam a dizer que isso contraria as leis da física... Pergunto: nos golos em efeito, tipicamente as roscas dos pontas, não acontece o mesmo? Enfim...